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A BRIGA DOS GRAFITES.

Não é apenas no chão que o espaço comum é invadido. Como se não bastassem as pichações, muros e paredes têm sido há algum tempo usados como canal de manifestação daquilo que para seus autores é arte rebelde, mas para muita gente não passa de garatujas de mau gosto - os grafites.

A controvérsia corre solta. "Pichação é lixo, grafite de boa qualidade é arte", defende a crítica de arte Angélica de Moraes.

O artista plástico e grafiteiro Hudinilson Jr. sustenta que o grafite tem até a função de preservar muros e paredes encobrindo a poluição de cartazes, fuligem e pichações. "É uma maneira de levar para a rua a idéia de arte", argumenta Hudinilson.

Com desenhos e personagens que tanto podem significar um comentário irônico da vida da cidade como alustra a histórias em quadrinhos, os grafites, geralmente bem-humorados, não agridem tanto quanto as pichações, mas para alguns carregam uma cor autoritária.

Afinal, depois que foi pintado, quem passa pelo local é obrigado a vê-lo, goste ou não - como também ocorre com os outdoors de publicidade. É por esse motivo que o crítico João Cândido Galvão, curador da Bienal de São Paulo, julga severamente o grafite: "É uma arte fascista".

 

UM EXEMPLO SOB O SOLO

Ao longo das 37 estações do metrô paulistano, é difícil ver um papel sobrando. Se alguém jogar algo no chão, logo surgirá um funcionário encarregado de apanhar o lixo fora do lugar.

Não há pichações nas paredes e os bancos raramente aparecem quebrados ou riscados. Com 2 milhões de usuários por dia, o metrô completa quase quinze anos como um lugar público excepcionalmente limpo - uma raridade mundial em termos de transporte subterrâneo.

Como se explica isso? Desde que o metrô foi inaugurado, sabíamos que o essencial seria ter o usuário do nosso lado", conta Celso Giosa, diretor de operações.

Para tanto, a companhia precisou mostrar serviço: todos os dias são retiradas das estações, plataformas, terminais e trens 3,7 toneladas de lixo. Limpezas completas são feitas por todas as dependências do metrô em busca do menor resquício de sujeira.

A noite, o lixo é retirado das plataformas por uma composição que circula sem passageiros. Tantos empenho custa B empresa cerca de 670 mil cruzados novos por mês - e nenhum centavo em reparos de estragos provocados por sujeira, porque não há o que reparar.

O ambiente limpo constrange o passageiro que, de outro modo, se sentiria tentado a jogar lixo no chão. Não é incomum pessoas saírem do trem numa estação, apenas para colocar o lixo no cesto - e voltar ao carro.

SUPERINTERESSANTE, MAI/1989 – ED. 020

 
     
 
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